Entrevista ao Porta da Estrela
06-10-2009 18:34
Entrevista a Luís Caetano, candidato da coligação PSD/CDS-PP à Câmara de Seia.

Quais são as motivações e os objectivos da sua candidatura à Câmara Municipal de Seia?
As minhas motivações são simples, e já as afirmei várias vezes. Quando nos desafiam para colocar as nossas capacidades, o nosso empenho e a nossa dedicação em prol de uma causa em que acreditamos profundamente, a resposta é simples: sim. Quando nos desafiam para trabalhar em prol de uma cidade e de um Concelho em que acreditamos profundamente, a resposta é fácil: sim. Quando nos desafiam para trabalhar em prol de todas as pessoas que fazem parte da nossa vida e que consideramos parte da nossa família, a resposta é clara: sim.
Os meus objectivos são claros. Quero fazer crescer o Concelho a uma dimensão equivalente à das suas gentes. Temos pessoas capazes, trabalhadoras e lutadoras. Falta agora que o Concelho possa crescer ao nível das suas capacidades e aspirações. Esse crescimento faz-se de uma forma integrada e global e necessita ser comandado por quem tenha uma visão de futuro, empreendedor, decidido e capaz de trilhar os caminhos necessários a esse crescimento sustentado e duradouro. Com ele daremos melhor qualidade de vida a quem cá vive e procuraremos cativar outros a escolher o nosso Concelho para viver.

Que opções apresenta para resolver as maiores carências do Concelho?
Vou-lhe falar de algumas das ideias que fazem parte do Programa "Sim a Seia", em várias áreas e sectores, que poderão em breve consultar em www.simaseia.com, aqui sem nenhuma ordem em especial, pois eu acredito que só através de uma visão globar que interligue as diferentes vertentes do Concelho, se pode chegar preparar o nosso futuro:

Implementar a marca “SEIA”
Afirmação e promoção da marca “SEIA”, símbolo forte de todos os produtos e serviços associados ao Concelho.
«A falta de oportunidades é devida à falta de visão política e à falta de alguém na Câmara que ponha os interesses do Concelho à frente dos interesses do seu partido»
«A falta de oportunidades é devida à falta de visão política e à falta de alguém na Câmara que ponha os interesses do Concelho à frente dos interesses do seu partido»

Criar a “Casa do Empreendedor”
Um pólo de micro-empresas, na zona industrial da Vila-Chã, para dar mais oportunidades aos empresários.

Criar uma Entidade Gestora para todos os Parques Industriais
Para potenciar a gestão integrada dos mesmos, trazendo benefícios a todas as empresas que ali se instalem.

Criar o Gabinete de Atendimento ao Munícipe
Proporcionando o atendimento diário dos munícipes.

Implementar Pequenas Unidades de Compostagem
Para tratamento de resíduos orgânicos de todo o Concelho, que permitam criar um adubo natural para ser utilizado na agricultura, nas florestas e nos jardins.

Dinamizar as Freguesias através das Juntas
Desafiar cada uma das Juntas de Freguesia, em parceria com as populações, a proporem um projecto ambiental na sua área de intervenção, articulando patrocínios com empresas e instituições.

Reabilitar todos os Fontanários e Chafarizes do Concelho
Sem excepção.

Dinamizar a nossa Água
Criar condições para a produção de uma nova água engarrafada sob uma marca que obrigatoriamente identifique o Concelho de Seia.

Criar um Plano de Desenvolvimento Estratégico do Turismo em Seia
Que fomente parcerias com diferentes entidades, revitalizando o Concelho enquanto potencial turístico e destacando-o no panorama turístico da Serra da Estrela.

Reformular a FIAGRIS e as Feiras Temáticas
Com prioridade para os nossos produtores e representativas de todos os sectores de actividade do Concelho.

Criar um Plano Arquitectónico Municipal
Que defina cores, arquitecturas e alturas máximas para edificações novas, rua a rua, diferenciando as zonas típicas das não típicas e dando apoio técnico aos munícipes em obras de recuperação.

Reordenar, Requalificar e Recuperar o que é Típico
As aldeias, vilas e bairros típicos da cidade, devolvendo-lhes a sua identidade, distinguindo as zonas habitacionais das zonas de serviços e lazer.

Incentivar a Construção de Habitações Ecológicas no Concelho
Apoio técnico na elaboração dos projectos e aplicações de energias renovavéis e redução das taxas e licenças de construção.

Criar um PDM de Futuro
Todas estas medidas serão devidamente enquadradas num PDM de nova geração, que traga modernidade, sustentabilidade económica e ambiental para o Concelho.

Recuperar a Saúde
Requalificar o Centro de Saúde e exigir a recuperação das valências perdidas pelo Hospital de Seia.

Criar uma Rede Móvel de Cuidados de Saúde
Para levar a saúde aos centros rurais mais distantes e apoiar mais os idosos com a colaboração das Juntas de Freguesia e dos Centros de Apoio Social.

Gerir melhor a Saúde
Alargaremos e interligaremos as redes de apoio já existentes com as juntas de freguesia e as IPSS, porque os idosos têm de ser respeitados e as crianças são o nosso futuro. Não descansaremos enquanto não acabarem as filas de espera à porta dos centros médicos. Não nos desculparemos com argumentos de falta de apoio central, há tanto para criar e melhorar sem estar à espera de quem não nos respeita. Contudo seremos implacáveis na defesa dos nossos interesses junto do poder central. Humanizar os serviços, qualificar os meios, respeitar as pessoas e aproximar das populações serão as nossas preocupações.

Unir a Cultura ao Desporto e à Educação
Seia tem estabelecimentos de ensino de reputada competência. Seia está a criar espaços museológicos. Seia já tem alguns equipamentos desportivos. Seia tem alguma vida cultural. Mas estas áreas não podem viver de costas voltadas. É urgente integrar, é urgente maximizar competências. Iremos dinamizar, potenciar e melhorar para criar riqueza cultural e desportiva para as nossas gentes.

Estes são alguns exemplos demonstrativos de que sabemos do que falamos. Connosco têm uma certeza: Seia vai começar a andar, firme e decidida, em direcção ao futuro.

Considera que o crescimento e o desenvolvimento do Concelho têm sido proporcionais e equilibrados?
Não. É exactamente nesse sentido que queremos maior equilíbrio e coesão territorial.
As freguesias mais distantes da cidade de Seia sofrem o mesmo que Seia sofre em relação ao litoral.
É necessário que se procure nessas freguesias as suas potencialidades e se implementem políticas, nomeadamente ligadas ao turismo, ao desporto, ao ambiente, entre outras, que criem e divulguem factores de atractividade em todo o Concelho.
O simples facto de propormos a realização de rotas temáticas no Concelho, para jovens, para a terceira idade, para a religião, a história, a natureza, etc, que abarcam todas as freguesias do Concelho, permite perceber que nós queremos cativar turistas para todas as freguesias e não só para algumas.
Esta é uma forma nova de ver o turismo, capaz de introduzir público que procure gastronomia, artesanato, saúde e bem-estar, pesca desportiva, orientação, campismo ou turismo rural de habitação, figuras rupestres ou capelas e igrejas, fontanários, calçadas e pontes romanas, maravilhas naturais, rochas, fauna e flora, produtos regionais, ou seja, uma infinidade de recursos que podem e devem ser potenciados com as pessoas das freguesias, todas juntas, de molde a criar novas formas de riqueza e rendimento.
O facto de queremos associar a estas rotas os edifícios das escolas encerradas que ainda não têm nova utilização, permite alargar a todo o Concelho a divulgação turística, potenciando, em parceria com a Escola Superior, todos os recursos.
A isto chama-se planeamento turístico que cria riqueza e qualidade de vida, algo que nunca foi feito no Concelho de Seia.

Defende a criação de incentivos aos empresários para que se instalem no Concelho?
Os incentivos podem e devem ser dados para criar competitividade. Não podemos querer atrair empresários se lhes damos menos do que os outros.
Mas dar incentivos é dar responsabilidades, e esses incentivos têm sempre que passar pela assinatura de contratos-programa em que, em troca do benefício, se exigem responsabilidades. Por exemplo, impondo a contratação, em primeiro lugar, de pessoas residentes no Concelho e/ou formadas pelos estabelecimentos públicos, privados ou de formação profissional do Concelho de Seia.
Assim atraímos jovens à formação aqui ministrada e potenciamos o aproveitamento da criação de emprego no Concelho, motivando a vinda de pessoas para cá por essa ser uma vantagem competitiva, associada ao IRS, ao mais baixo IRC, etc..

Qual a ambição para Seia nos próximos anos?
Que o Concelho seja uma referencia ambiental e turística em todo o país. Se conseguirmos ser essa referência, não só na área da Serra da Estrela, mas em todo o país, significa que se conseguiu implementar um plano de desenvolvimento turístico, que cria postos de trabalho, que gera riqueza e que o faz com qualidade, com excelência ao ponto de ser apontado como exemplo a seguir tanto no planeamento turístico como na excelência ambiental.
Ao conseguirmos este salto qualitativo, estaremos a abrir as portas ao infindável mercado internacional, com superior poder de compra e que pode e deve ser trazido para conhecer e divulgar o nosso concelho.

Que sectores considera prioritários em termos de desenvolvimento do Concelho?
O Concelho de Seia tem potencialidades absolutamente inexploradas.
Todos sabemos que o tempo dos têxteis acabou e que grandes indústrias não se vão instalar aqui. A aposta tem que ser em pequenas e médias empresas, que geram riqueza a nível local. Essa aposta vê-se nas iniciativas no âmbito dos parques industriais, onde queremos criar condições de rápido acesso e instalação de pessoas para que criem postos de trabalho.
A criação da “Casa do Empreendedor", é um projecto âncora para os primeiros anos de vida dessas empresas, que necessitam, de um espaço de afirmação e consolidação do negócio, para depois se aventurem noutros locais.
Mas queremos fazer isto virados para a economia local e não de costas voltadas com ela. Por isso criaremos o Conselho Consultivo Económico Social. Um Conselho onde as entidades ligadas ao comércio, à industria e ao mundo do trabalho, debaterá os rumos do Concelho. Só unindo as energias de todos num rumo comum conseguiremos ter todas as forças vivas do Concelho a remar no mesmo sentido. Assim, o Conselho não definirá a política da Câmara, mas esta saberá ouvi-lo para que o consenso seja possível.
No âmbito do turismo, tudo está por fazer.
Há que promover o Concelho, valorizá-lo ambientalmente, saber que há equipamentos que atraem jovens e outros que atraem pessoas de idade mais avançada: há pessoas que vêm pelas nossas águas, outras pelos nosso artesanato, outras pela nossa gastronomia, outras pela religião, pela história, pelos percurso pedestres, etc.
Para todos estes públicos tem que haver uma resposta, integrada, enquadrada, em defesa do meio ambiente, criando e desenvolvendo a imagem de um Concelho de Excelência. Esse caminho só se consegue com um CISE capaz de liderar esta política, integrando e fazendo interagir as empresas de desportos radicais, as associações ligadas à natureza e ao montanhismo, os privados que exploram o turismo convencional na vertente hoteleira, e os privados que exploram o turismo rural, a restauração, a formação profissional na área, tendo nela um papel essencial a Escola Superior de Turismo e Hotelaria.
Tudo isto só se faz com planeamento. Com um rumo e um caminho bem definido do que se quer e onde se quer chegar.
Nós queremos com este caminho criar riqueza, emprego, fixar pessoas, para que todos digam Sim a Seia.

Seia consolida-se ou não como pólo de desenvolvimento na Serra da Estrela?
Ainda não, mas consolidar-se-á com a vitória desta candidatura. Todos sentem que o peso de Seia neste contexto não é grande, sempre por falta de uma estratégia de afirmação regional. Essa afirmação tem que passar pela potenciação das nossas forças, o que não tem sido feito até hoje. Essa afirmação será o resultado da implementação das nossas ideias e do nosso projecto.

A falta de acessibilidades aos grandes eixos viários não está a contribuir para a desertificação do Concelho?
A falta de eixos viários é apenas um dos elementos da equação. Quem pensar que ele, só por si, resolve todos os problemas está redondamente enganado.
As pessoas vão-se embora por falta de oportunidades no Concelho e essa falta de oportunidades é devida à falta de visão política e à falta de alguém na Câmara que ponha os interesses do Concelho à frente dos interesses do seu partido.
Para isso deve-se ter um caminho, mas deve-se também saber ouvir os outros, para perceber a motivação da discordância.
Para além das acessibilidades, o Concelho tem que ser capaz de criar riqueza e com ela emprego. A forma que o Concelho tem para atingir esse objecdtivo é aproveitando, de forma rigorosa e eficaz, aquilo que tem ao seu dispor: pessoas, natureza, património edificado, cultura e saber.
Tendo estas potencialidades há que ter ao leme alguém que saiba bem como potenciar essas qualidades e que não tenha duvidas sobre o caminho a seguir.

Sendo o Concelho constituído por 29 freguesias, que critérios irá aplicar para a distribuição de verbas?
O critério é o da coesão social. Este Concelho precisa de uma vez por todas de uma análise das potencialidades e problemas de cada uma das freguesias, para que se minorem os problemas e se usem as potencialidades.
Este trabalho nunca foi feito, o que implicou uma distribuição de verbas sem critério, a olho, conforme a conveniência partidária, e que se acentuou nestes tempos mais próximos das eleições.
O que nós queremos é clareza e transparência, de forma a que todos percebam que se recebe em função dos resultados que queremos obter, diminuindo as fraquezas e aumentando as forças das freguesias.
Havendo transparência e clareza, percebemos facilmente que o crescimento de todos é uma vantagem para a Concelho, em que todos ganham,.

Que balanço faz do actual mandato?
Um mandato em que se acentuou o afastamento das pessoas e em que se insistiu em ignorar o tecido económico do Concelho, fechando os olhos às oportunidades que se encontram bem à frente de toda a gente.
Se é verdade, como muitos dizem, que podíamos estar pior, também é verdade, e todos o sabem, que podíamos estar muito melhor ao nível do emprego, da fixação de pessoas, da criação de riqueza e bem-estar.
Não estamos lá, mas ainda podemos lá chegar. E para isso é necessário alguém com um projecto, com um rumo, e com uma convicção firme de que todos nós, que pertencemos a este Concelho, merecemos mais e melhor.

O lema da sua candidatura é “Sim a Seia". O que pretende transmitir com ele aos eleitores?
É o reflexo da nossa visão. Uma visão positiva, afirmativa e confiante nas capacidades das gentes deste Concelho. Trabalhar para o Concelho é trabalhar para as suas pessoas. Fazer crescer o Concelho, é fazer crescer as suas pessoas. É para elas e, sobretudo, com elas que queremos abraçar este desafio. É para elas que dizemos Sim a Seia.
Para elas e com elas. Porque nós confiamos em todas as pessoas e contamos com elas para fazer crescer este Concelho.
Dizemos sim a todas as pessoas e sim a todas as freguesias. Porque conto com todas para ganhar a aposta de fazer do Concelho de Seia um referência para o país.
Só acreditando nas capacidades das pessoas seremos capazes levar o Concelho ao lugar que as suas gentes merecem. Só se diz sim a Seia quando se gosta deste Concelho como nós gostamos e se acredita que ele pode ser muito mais do que aquilo que é, porque tem todas as condições para crescer e se fortalecer. Basta ter à sua frente quem o reconheça e acredite de verdade.

O que será para si um mau resultado?
Se ficar tudo na mesma. Se o Concelho continuar a ser guiado por quem não se importa por onde se vai. Se continuarmos a ir atrás de alguém que não sabe o caminho. Um mau resultado é se o Concelho de Seia continuar a ficar para trás.

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